quarta-feira, 27 de março de 2013

Sobre o preconceito

Falar sobre preconceito é muito complicado. Não me sinto à vontade, ainda mais nos dias em que vivemos, onde tudo que falamos parece soar como preconceito. Até a palavra “preconceito”, não escapa ao preconceito. Ser preconceituoso não escapa ao preconceito dos demais. Não se tem mais o direito de “não gostar de...”. Tudo soa como preconceito!
Se você gosta de rock e não gosta de pagode ou samba, é porque você é um branco que gosta de música de branco e não suporta pagode ou samba porque é musica de negro. Isso porque o rock nasceu do blues que era música para negros do sul estadunidense.
Preconceito contra roqueiros que são acusados de preconceituosos por não gostarem de samba e de pagode! Mas já se perguntaram porque uma pessoa que gosta de pagode ou samba não gostam de rock? Ah, porque é só barulho para um bando de drogados! E isso também não é preconceito? Como se também não existissem usuários de drogas em escolas de samba e rodas de pagode.
O preconceito acontece até mesmo dentro de um núcleo comum. Vejamos o meio da música caipira, que alguns famigerados resolveram rotular de música raiz porque soa mal para os bonitinhos do movimento sertanejo universitários, e isto é mais um rótulo, de serem chamados de músicos caipiras! Soa mal na mídia! Quando se pergunta a um jovem se ele gosta de música sertaneja, ele de imediato te responde...”Eu curto sertanejo universitário”, menos música caipira! E isso não é preconceito? Pior dentro do mesmo núcleo cultural!
Seguindo essa linha, há quem tenha preconceito para com a bossa nova. Para muitos, música para pseudo-intelectual e bicha, sem contar no fato de muitos dizerem por aí que dá sono! Olha só o preconceito de novo.
Em primeiro lugar, não sou fã de bossa nova, mas sei reconhecer o valor dela. Realmente não é uma música para adeptos de cultura pop. Talvez realmente seja uma música para ouvidos mais refinados. Coisa que eu não tenho a pretensão de dizer que tenho, mas até sair por aí dizendo que dá sono, que é música para pseudo-intelectual e para bicha... Ah, é preconceito também! Mas antes que alguém fique indignado, não chegou a hora de falar sobre gays. Ainda não.
Os funks de periferia que invadiram todos os meios sociais. Claro que não gosto deles, mas é uma opção minha. Não quer dizer que eu não possa ilustrar o preconceito existente contra este movimento e nem deixar de exercer o meu direito de “não gostar de...”.
Este é também um exemplo de que acontece preconceito dentro do mesmo movimento musical, ou pelo menos dentro da mesma nomenclatura, afinal tudo é rótulo! Quem gosta dos funks de antigamente, os que curtiram e curtem até hoje James Brown, Zapp, entre outros, alegam que isso que toca nos bailes em periferia pode ser qualquer coisa, menos funk. Mas é esse o rótulo que a mídia deu! A mesma mídia que promoveu o - segundo alguns - funk de verdade!
Ah, mas virá alguém me criticar por que dirá que ouve MPB e não esse lixo musical, do qual eu mencionei até agora. Ora, a bossa nova não precede a MPB? E tirando o rock que não faz parte das nossas origens musicais, samba, pagode, sertanejo e funk de periferia não são cantados em português?
Vamos mudar um pouco o foco. Agora é o que mais gosto de discutir. A guerra de torcida do momento. Negros, gays, brancos, religiosos e etc!
Aqui eu vejo em primeiro lugar, o preconceito confundido em inúmeras vezes com o direito de “não gostar de...”.
Vamos lá! As coisas chegaram a tal ponto que se eu estiver com um amigo negro, e olha que tenho muitos e se estão comigo é porque gostam de mim, e fizer uma brincadeira com ele e outro que não me conhece, passar e se sentir ofendido com a brincadeira, eu estarei em maus lençóis! Pelo menos terei que me explicar com a justiça! Estão confundindo as coisas! Tudo virou preconceito, até uma brincadeira de amigos! Já perdi a conta de quantas vezes fui chamado de branquelo, magrelo, e nem por isso saí por ai sentindo pena de mim mesmo!
Isso me soa mais como um complexo existencial do que realmente preconceito! Uma solução! Leia mais, sinta-se culto, e esse preconceito contra sua própria etnia de origem vai acabar! Esqueçam essa cultura barata de que “eles são maus e escravistas e eu sou bom porque fui escravizado!”. Em primeiro lugar, eram negros que capturavam negros menos capacitados tecnologicamente e vendiam aos portugueses no período escravista de nossa história!
Isso não levará você, negro a lugar nenhum! Afinal de contas, vocês são tão humanos e dignos de respeito quanto um branco!
A questão gay não é muito complicada! Basta mostrar-se digno também! Há muito gays cultos e grandes expoentes inclusive na literatura científica. Mas o grande problema é a reivindicação por tratamento igual aos demais. Claro que há preconceito de todos os lados. Os brancos, os negros, asiáticos e demais etnias, todos possuem pessoas com preconceito contra gays. Mas novamente eu exerço meu direito de “não gostar de...”.
Se eu evito lugares freqüentados por gays, se eu tenho planos para minha filha que não inclua a cultura gay na vida dela, não quer dizer que não os respeito. Os gays merecem o mesmo respeito que os negros, brancos e asiáticos por que são seres humanos, e não porque são gays! Há inclusive citações de gays como o Clodovil Hernandes que ao ser indagado em um programa de tv, porque não freqüentava a Parada Gay, e o mesmo respondeu: “Sou gay, não vulgar!”. Aí eu pergunto para algum gay que possa vir a se sentir ofendido. Parada Gay é mesmo um movimento cultural, ou apenas exploração econômica utilizando-se da vulgaridade? Isso não é preconceito!
Agora, os religiosos. Outro exemplo de que ocorre preconceito mesmo dentro de um núcleo social.
Dentro da religião cristã encontramos preconceito de católicos contra evangélicos, de evangélicos contra espíritas, de evangélicos e católicos contra outras religiões que não sejam cristãs, contra o judaísmo, islamismo e por último de evangélicos contra católicos!
A única coisa que posso dizer, religião é algo muito particular, cada um tem o livre arbítrio para professar sua fé! Fiquem quietinhos no seu canto! Cada um, dentro de si, sabe melhor do que ninguém, o que necessita de Deus! Deus não precisa de torcida organizada por aqui!
Mas vou ter que mencionar um outro ponto! Os que se dizem ateus!
Imaginem o preconceito que uma pessoa que estudou, leu inúmeros livros, encontrou outro meio de vida que não seja o modelo de família cristã propriamente dita, não sofrem de quem se diz religioso? Novamente eu digo! Livre arbítrio! Ninguém é obrigado a ser religioso e muito menos acreditar em algo para ser respeitado! Ah! Imagina se eu mencionar um satanista?
Uma pessoa é digna de respeito não porque é religioso ou não, mas porque é ser humano!
Olha a que ponto se chegou! Uma guerra que se estendeu até o cenário político, onde representantes gays e representantes religiosos incendeiam uma bravata, o qual não levará a nação a lugar algum.
Na verdade só estão causando mal estar na sociedade e gerando um conflito que está cada vez mais se acirrando! Será que nunca iremos aprender com os fatos históricos? Exemplos é o que não faltam!
Em uma sociedade onde os movimentos culturais são formados por uma pancultura, ou seja, uma diversidade de movimentos culturais que advém de inúmeras células culturais existentes na sociedade brasileira, se faz necessário respeitar o espaço de cada um.
A sociedade brasileira é formada pelas mais diversas culturas mundiais. Somos talvez o país mais miscigenado do mundo e por isso há tantas células culturais. Há que se pensar nessa diversidade cultural e entender de uma vez por todas que, mais do que nunca, devemos respeitar uns aos outros, e que cada um é digno de escolher o que é melhor para si.
Quando falamos em preconceito, é necessário pensar antes se também não há uma pré-disposição pelas partes em se sentir ofendidos!
O exercício do direito de “não gostar ou gostar de...”, é um direito de cada um de nós, uma essência singular. Que devemos guardar para nós. Sem explorá-la, disseminá-la, enfim, guardarmos para nós!
Desde que não causemos mal para o próximo, exerçamos sim o “direito de não gostar de...”.
Isso é o maior exemplo de democracia que poderíamos viver!


By : Márcio Fernandes

domingo, 24 de março de 2013

Sociedade Banalizada

Segundo o dicionário, banalizar é transformar “valores” caros em algo comum e sem significância!
Por que ao longo dos anos as leis foram criadas? Em um sentido simples, as leis são criadas para servirem de regras para uma sociedade, garantindo e salvaguardando nossos direitos. No entanto, o que se pode observar, é que ao invés de disciplinar nossa sociedade, mais e mais leis são criadas a cada ano para manter estabelecida, uma desordem sem fim, e é claro, sem precedentes!
É sem dúvida nenhuma, a pior época em que a sociedade brasileira está passando! Será que está valendo a pena este alto preço que a sociedade brasileira está pagando para em troca, obter apenas um governo que cria leis para atender minorias?
O que está acontecendo com nossa sociedade é sim, uma banalização de valores que no passado, não muito distante, garantiam uma sociedade mais justa e decente para que pudéssemos viver, e no caso de famílias, criar seus filhos!
Tudo está banalizado, tornando nossa sociedade, um lugar insuportável para, alguém que tenha o mínimo de senso moral e decência, possa viver!
Para tanto, gostaria de apresentar alguns exemplos para ilustrar esta reflexão:
Com uma política que vem se arrastando há tempos, nossos “Representantes” se reúnem em congressos para criar leis, não para toda a sociedade, mas sim para minorias. Será este o caminho?
Ora, como escrevi no começo deste texto, leis são, em um sentido mais simples da palavra, regras para uma sociedade, e não para atender minorias.
E porque insisto em banalização?
Ora, vejamos a questão do racismo ou preconceito, por exemplo: Hoje um cidadão tem que tomar muito cuidado como se refere às coisas. Tudo parece soar como racismo ou preconceito!
Não estou levantando nenhuma bandeira com este texto, mas toda pessoa é digna de respeito, não importando sua condição, seja ela, negra, branca, nipônica, judia ou árabe!
Ser tratado com respeito pelo próximo é um direito reservado a todo ser humano, e não a uma etnia, orientação sexual ou credo religioso específicos!
Em conseqüência disto, vivemos em uma sociedade que incentiva essa cultura barata do “você é malvado e eu Sou a vitima”, para justificar incompetência de muitos!
Se Nietzsche fosse contemporâneo e vivesse em nossa sociedade, não teria morrido de doença, mas sim, se suicidado, tamanha seria sua aversão por ela!
Porém, o que nossos políticos criam? Leis eleitoreiras que atendem minorias, fazendo com que essa questão fique banalizada e acabando por criar um efeito contrário na sociedade! É nítido o acirramento dos debates sobre a questão racial, facilmente constatado no dia a dia e em redes sociais.
Hoje, a questão sobre preconceito está mais para briga de torcida organizada do que para solução de um problema grave em nossa sociedade, ou seja, banalização!
Em uma outra situação, nos voltemos para a educação! A situação de nossa educação é tão alarmante que agora um aluno ensina a fazer “miojo” em uma redação e ainda tem direito a uma nota!
Pior, a alegação da comissão que organiza o ENEM vem a público alegar que a redação do jovem não poderia ser anulada, por que não feria os direitos humanos e não continha no texto palavras ofensivas!
Fico imaginando a fabricante do determinado alimento, ser responsabilizada por atos que atentem contra a vida, ou pior, uma pessoa sendo processada por discriminação por chamar alguém de “miojo”? No mínimo hilário!
Eu sou feliz porque vivi em uma época em que se tinha medo de “reprovar na escola” e medo de “tirar nota vermelha”.
Outra questão muito importante a ser discutida! A “Censura”!
Não se trata de censura, mas sim de um controle para que nossa sociedade receba informações de valor e que valham realmente a pena para se ter uma vida digna de respeito!
O que os veículos de imprensa realmente estão nos passando, alegando sempre, liberdade de imprensa?
Tanto a televisão, rádio e hoje em dia, a Internet! Na verdade, tudo banalizado também!
Inclusive a questão da sexualidade! O que era para ser algo muito particular na vida de uma pessoa, graças aos veículos de imprensa, tornou-se uma questão totalmente banal! Basta ligar a televisão e deparar-se a qualquer momento por uma cena de infidelidade de casal.
Não é a toa que hoje, a expressão “eu te Amo” ou a palavra “casamento”, tornaram-se tão banais! Aliás, hoje em dia, feliz do casal que consegue ultrapassar os primeiros cinco anos de convivência!
Os veículos de mídia que deveriam assumir uma postura agregadora, no entanto, assumem um papel desagregador! Degradação da instituição “família”!
E sou feliz porque vivi em uma época em que eu acordava escondido dos meus pais, para em silêncio me dirigir à sala de estar e ligar a televisão para ver Sala Especial, depois que todos dormiam! Infelizmente, hoje é só assistir a novela das sete!
Por último, e eu considero a pior de todas as formas de banalização! A banalização da vida!
A questão sobre a segurança pública é tratada de forma tão banal, que o significado da palavra segurança perdeu qualquer sentido!
Quem pode sair por aí e se dizer seguro, onde em nossa sociedade se mata por tão pouco? Voltamos a eras passadas em que se matava por nada também?
Quando fiz meu Trabalho de Conclusão de Curso “TCC”, tive a oportunidade de ler sobre as origens do Totalitarismo, onde em vários momentos, Hannah Arendt referia-se a “banalização da violência” para ilustrar o que foi o Regime Nazista!
As pessoas desse período sentiam-se inseguras porque saíam para as ruas e não sabiam se voltariam com vida para suas casas. É incrível a semelhança com nossa sociedade de hoje!
A única diferença é que naquele período, o Estado encarregava-se de gerar tal violência. Hoje tanto o Estado como a criminalidade faz isso! E o cidadão de bem? Configura como mera vítima de um sistema que insiste em governar para minorias.
Total inversão de valores onde o cidadão de bem é colocado à vala comum enquanto os governantes valorizam criminosos em presídios, assim como seus familiares! Isso da muitos votos em época de eleição! Enfim, uma total e descarada inversão de valores morais! Um verdadeiro circo dos horrores promovido por estes que regem o pior momento em que nossa sociedade está passando!
Eu sou feliz porque vivi em uma época que não bastava apresentar um RG em uma abordagem policial! Você tinha que apresentar uma Carteira Profissional! Ah, de preferência, assinada!
Escrever sobre banalização daria um belíssimo trabalho de doutorado, tamanho é a gama de assuntos a serem abordados em torno deste tema!
O que procurei foi apenas ilustrar esta reflexão com alguns exemplos que neste momento apresentam-se como oportunos para mostrar como nossa sociedade está banalizada!
Banalização que nasceu de uma grande mentira chamada, por estes canalhas que estão no poder, de “liberdade”!
Velhos decrépitos que vendem a sociedade brasileira há quase trinta anos. Bando de vampiros que sugam o sangue da sociedade, enquanto a população vaga pelas ruas como verdadeiros zumbis.
Lixo e resquício de uma geração de hipócritas revanchistas, que gritavam por liberdade em uma época onde a família de verdade era tratada com mais respeito!
Como escrevi no começo deste texto, não estou aqui levantando bandeira alguma, muito menos defendendo o regime militar, mas olhem no que este bando de canalhas estão transformando nossa sociedade!
Educação, saúde e segurança pública, enfim, nossa sociedade toda “desarrumada” por estes facínoras travestidos de “nossos representantes”, sendo que não passam de um bando de gente degenerada e sem algum senso de escrúpulo.

Toda a nossa sociedade condenada por causa destes que “confundiram” o conceito de liberdade por libertinagem!


By: Márcio Fernandes

quarta-feira, 20 de março de 2013

O mundo é incrível, nós é que somos indiferentes


Alberto Brandão, no Papo de Homem
O comediante Louis CK tem uma entrevista fantástica, intitulada “tudo é incrível e ninguém está feliz”.
Com esse olhar que começo esse texto:
Vivemos em uma das eras mais fantásticas da nossa história e nossos contemporâneos estão por aí perdendo tudo isso, olhando uns para os outros com um olhar blasé, com a indiferença de quem está acostumado com tudo e não dá a mínima para o que está acontecendo.
Desde que nossos ancestrais mais antigos saíram da pangeia, que aprendemos a cultivar nossa própria comida e nosso cérebro sofreu uma enorme mudança, sendo capazes de compreender informações e melhorar processos. Desde as pirâmides, Grécia antiga, Roma, escola de Pitágoras, grande muralha da china, ENIAC ou qualquer outro marco evolucionário que possamos destacar. Nunca tivemos acesso tão fácil a tanta informação.
Temos acesso praticamente ilimitado a todos os assuntos existentes e, se não conseguirmos achar nada sobre isso, podemos encontrar alguma pessoa que nos apontará uma pista de onde procurar. Podemos acessar praticamente qualquer material, sabendo que ter ou não dinheiro, nunca importou tão pouco.

Nossas pequenas caixas de areia

Gostamos de nos portar como pessoas evoluídas, mas conhecimentos valiosos estão morrendo com as pessoas mais velhas, simplesmente porque não sabemos dar o devido valor. Gostamos de nos iludir, achamos que desfrutamos de um imenso mar de conhecimento, quando na verdade, estamos brincando em uma caixa de areia, onde sentimos uma vaga ideia de como seria navegar nesse mar.
A internet tem uma quantidade ridiculamente grande de sites, blogs, fóruns e todo formato agregador de conteúdo. Eu sei que você sabe disso. Mas qual a última vez que navegou além das páginas que acessa com frequência? Quando foi que tentou entender um assunto além dos dois primeiros parágrafos da Wikipédia? Somos uma raça superficial, nos tornando cada vez mais superficial.
Nadamos segurando na borda da piscina, só sabemos aquilo que conseguimos enxergar da borda.
Quando foi a última vez que ouviu um álbum por inteiro? Escutou todas as músicas, na ordem que foi planejado e organizado? Quando foi a última vez que procurou escutar músicas que nunca ouviu antes? Compositores clássicos, estilos diferenciados, artistas de um país tão pequeno, que não sabe pronunciar o nome? Já escutou um Rock Nigeriano? Ou uma escola de samba finlandesa?
Império do Papagaio: escola de samba finlandesa
Império do Papagaio: escola de samba finlandesa

Podemos ter acesso a tudo isso, mas insistimos em nos manter dentro dos limites da nossa caixa.
Não há tanto tempo assim desde que eu precisava esperar uma música passar na rádio, para gravar e poder ouvir de novo. Os mais novos não conhecem a frustrante sensação de ouvir uma musica fantástica na rádio e nunca mais encontrá-la novamente.
Podemos escutar toda música que já passou no mundo. Tudo que está passando agora e nem sonhamos.
Novamente, nunca foi tão fácil.
E pior, sistemas estão sendo desenvolvidos para nos colocar cada vez mais dentro desta caixa. Seu tocador de música sugere coisas idênticas ao que está escutando, seu site de vídeos e filmes sugere similaridades do que gosta, e você, sem perceber, se fecha em um mundo inteiramente limitado. Sites de busca mostram resultados filtrados para se parecer com o que mais procura, redes sociais mostram apenas conteúdo dos amigos que mais conversa. Sem perceber, você vai ficando preso a uma realidade.
De repente, todo mundo tem uma opinião similar à sua. Tudo diz o que você quer ouvir, assim, sua ilusão se torna cada vez mais real.
Você está sendo tratado como uma criança mimada, com pais que não contrariam, só mostram o que vai agradar.

Deixe-se deslumbrar

Fotografias nem sempre foram acessíveis.
Quando criança, sempre quis ter uma máquina fotográfica, demorei muito tempo para ganhar a primeira e, ainda assim, filmes e revelação eram caríssimos. Não tirávamos foto de qualquer coisa. Fotografia era um momento especial, nos vestíamos apropriadamente para isso. Hoje em dia tenho quatro câmeras de qualidades diferentes em casa e não tiro fotos quase de nada.
Fico verdadeiramente envergonhado
Fico verdadeiramente envergonhado

Quando fotografias ainda eram pinturas, representando apenas aqueles que tinham poder para contratar um artista e ilustrar sua imagem, tudo era diferente. Mas imagine quantos momentos preciosos não foram perdidos por falta de uma simples câmera?
Agora que temos recursos amplos, todo aparelho celular tem uma câmera embutida, porque tratar isso como algo ruim? Certamente nossos ancestrais nos achariam malucos de desperdiçar toda essa possibilidade.
Por que nos incomoda tanto quando alguém posta foto de comida no instagram? Deixem as pessoas filmarem gatos sendo engraçados. Vamos editar de vídeos de Harlem Shake, afinal, quantas vezes em toda nossa história fomos capazes de gerar uma piada mundial, compreendida por todas as culturas?
Não somos obrigados a gostar e participar de tudo, mas o excesso de reclamação é tão ou mais chato que todos esses hábitos descritos acima.
Tudo é fantástico e você está perdendo tempo vendo apenas o lado negativo de tudo. Usei o exemplo das câmeras para ilustrar, mas temos feito isso com praticamente tudo. Estamos perdendo a noção de quanto tudo é fantástico.
Não precisamos nos tornar escravos da modernidade, mas não ver o quanto tudo é lindo e perder a oportunidade maravilhosa de viver e se deslumbrar com o mundo é bem triste.
Saiba desligar todos os seus aparelhos luminosos e passar um final de semana isolado em uma cachoeira. Mas sorria sozinho quando voltar pra casa, voando numa máquina de quase 80 toneladas.
Entenda quanto tudo é incrivelmente maluco e por isso, muito mais fascinante.
dica do Rogério Moreira
http://www.pavablog.com/2013/03/20/o-mundo-e-incrivel-nos-e-que-somos-indiferentes/?utm_source=feedburner&utm_medium=email&utm_campaign=Feed%3A+pavablog+%28PavaBlog%29

terça-feira, 19 de março de 2013

Cérebros de Miojo

Meu Deus!!!!!!!!!!!!! Hoje eu acordei com o humor péssimo, mas...
Como se pode ter saco para continuar vivendo em nossa sociedade?
Hoje de manhã acordei com o noticiário dizendo que de vários absurdos, em uma das redações nas provas do ENEM, um imbecil colocou até uma receita de miojo! Mas isso não foi o pior!!!
Ele pode não ter tirado uma grande nota, “Graças a Deus”, mas como não usou palavras ofensivas e não feriu os Direitos Humanos, teve sua prova validada! HaHaHaHaHaHa...
Desculpem-me, mas só rindo mesmo! Mas dá vontade de chorar!
Bom, pelo menos esse idiota não cometeu outros erros grosseiros como ocorreu com outras redações! Segundo o Jornal “O Globo”, alguns alunos cometeram erros que deixam qualquer um indignado! Olha só, “trousse”, “enchergar” e “rasoavel”! Ah, esses, como não foram debochados como nosso amigo do “miojo”, tiraram nota 1000. Como prêmio de consolação o nosso novo “Mestre da Culinária” ganhou 560 pontos na avaliação da sua redação, o que já está de bom tamanho! Qualquer quadrúpede sabe fazer um “miojo”! Tá bom, 560 tá bom!
Agora fica aqui a minha dúvida? Não com relação à redação em si, mas, meus amigos... Não anular a redação porque não feria os Direitos Humanos é de dar nojo desses hipócritas!!!
Fico imaginando uma receita de “Miojo” sendo responsabilizada pela fome da África, a I e a II Grande Guerra, O Massacre do Carandiru, riririri, desculpem-me, mas essa ultima foi boa! Ah, vão a m......
Depois alguém ainda vem me falar que “Os jovens são o futuro do Brasil!”.
Mas vamos fazer justiça! Ele não foi ofensivo! Eu fico imaginando uma pessoa ser presa por racismo ou homofobia por chamar alguém na rua de “miojo”. Coitada da língua portuguesa! Ela não tem o direito de ser ofendida!
O pior é que quem ofende a nossa língua portuguesa, são esses cretinos que ficam pregando baboseiras por aí, escondendo-se sempre de jargões retrógrados, resquícios de uma época em que sonhavam com uma revolução social! Olha o que eles conseguiram fazer com nossa pátria! Em nome dessa liberdade, que soa mais como libertinagem, estão arruinando com o futuro do País!
O importante é que tem a Copa do mundo chegando, têm o carnaval, baile funk e rodeios por todo o Brasil! Ah, e é claro, a Globo continua fabricando novelas! Aliás, que bom que a novela “Caminho das Índias” passou há alguns anos atrás! Como toda novela gera uma moda insuportável, inclusive as novelas dessa autora, agora todo mundo quer ir conhecer a Turquia como se fosse a ultima maravilha da Terra. Ainda bem que agora o centro das atenções é a Turquia porque se fosse a Índia, quando você comprasse um pacote turístico para lá, já ganharia grátis no pacote um estupro coletivo!
QUE NOJO!


By : Mr. Márcio "Hell" Fernandes

sábado, 16 de março de 2013

A maldade humana


Uma das características humanas que mais me intrigam é a delícia em se comprazer da morte dos outros homens ou dos animais.
Um exemplo entre mil: as touradas.
Todas as pessoas que se dirigem a uma praça de touros vão movidas pelo prazer de ver sangue, de assistir a um sacrifício.
A maioria dos aficionados, certamente, vai ver o sacrifício do touro. Mas há uns, entre eles inúmeros turistas, que se apiedam do touro e, conseqüentemente, torcem pelo sacrifício do toureiro, não há outra saída.
O indubitável é que todos que vão lá são inspirados para celebrar o espetáculo de uma desgraça alheia.
É esse impulso ancestral do homem que me deixa atônito. Ele é muito eloqüente nas grandes lutas que se travavam na antigüidade, exemplo as liças do Coliseu, onde em uma só tarde morriam às centenas os humanos e os animais.
E quantos mais morressem, mais se satisfazia a turba. E quantos mais morressem, mais se tornavam populares os governantes da época, os imperadores, por terem proporcionado aos seus súditos aqueles jogos de indizível prazer ótico.
É de tal sorte esse sadismo humano, que se inventam lutas entre galos, entre canários, entre cães e entre outros animais como diversão em que são feitas gordas apostas ou se cobra ingresso pelos espetáculos.
E têm sucesso extraordinário em todo o mundo as lutas de todos os tipos que são travadas entre os próprios homens, entre elas o boxe, a luta-livre, o judô, o sumô, ao fim de tais embates muitas vezes saem feridos os litigantes, quando não acontecem as mortes.
Algumas dessas lutas alcançam tal sucesso em todo o mundo que quantias imensas são comercializadas pela televisão para transmiti-las para diversos continentes. Outras apaixonam seus torcedores em vários países, que lotam os estádios semanalmente, sendo também transmitidas preciosamente pela televisão.
Tudo isso com o assistente das platéias ou os telespectadores babando de gozo com o sofrimento dos lutadores. Quanto maior o sucesso de uma agressão, maior o prazer, que vai até a euforia, do espectador.
Isto desde que o mundo foi criado.
Até os dias de hoje, quando nos gabamos de ter ingressado num milênio civilizado.
Qual o impulso que nos leva a ver a luta pela sobrevivência no mundo animal, principalmente nas savanas e selvas africanas, que nos mostra diariamente o canal Discovery, da TV a cabo?
Sem dúvida alguma, o momento mais importante para o espectador, o que mais o atrai a permanecer com o televisor ligado, é o do embate entre o animal presa e o animal predador.
Se há um bando de impalas, veados, gazelas, búfalos, sob a mira de leões, tigres, leopardos, hienas, aproxima-se para o telespectador o instante máximo da transmissão: aquele em que as feras atacarão suas vítimas alimentares.
Quando um leopardo sai correndo atrás de uma gazela, o telespectador nutre até uma compaixão pela presa.
Pode até torcer que ela escape, mas só estará satisfeito como assistente daquela corrida em busca da sobrevivência, embora isso possa se dar no plano do inconsciente, se ela tiver um desfecho que é quase sempre invariável: a vitória da fera sobre o seu petisco.
Essa inclinação do homem em ter prazer com a dor alheia me atormenta.
Porque fico pensando que é traço essencial da nossa natureza humana a maldade, verificada até mesmo em pessoas consideradas boas e decentes.
Se se for verificar a história humana através dos tempos, vai se notar que ela se dá em cima de guerras, destruições e dominações de uns homens sobre os outros.
Mas será que isso nos autoriza a pensar que o homem intrinsecamente é mau? Eu sempre pensei que sim. Mas há teorias que me desautorizam essa conclusão.
Só que essas teorias trombam espetacularmente com os fatos.
http://wp.clicrbs.com.br/paulosantana/2012/09/25/a-maldade-humana-3/?topo=13,1,1,,,13
Paulo Santana